terça-feira, 29 de abril de 2014

Poema do avô apaixonado.!!!


Ser avô!

 

Não esqueci dos meus avós.

Lembro-me bem de todos. Inesquecíveis.

Queridos amigos especiais.

 

(...)

 

Quem sabe (?) por ter passado o tempo,

A vida seguido seu ritmo em direção ao fim,

Deixado ótimas recordações para trás,

Tenho saudades de tempos que passaram

E num quadro amável, eu os incluo.

São personagens especiais.

Principais em boas épocas.

 

Foram figuras queridas.

São indescritíveis os meus avós.

 

Saudades dos velhinhos que não deixaram cópias.

Faz falta.

Ninguém conseguiu ocupar o vazio deixado pelas suas ausências.

Ninguém.

 

Vovó Conceição querida por todos.

Muito amorosa, era delicada e me prestigiava em tudo...

Encantava-se com as minhas histórias e eu, com as dela.

Tinha aquela das meninas e do corcunda que moravam no porão.

Sempre me aplaudia.

Sempre me prestigiava!

 

O vovô Chico na vaga lembrança que guardo,

Sempre de paletó de pijama, cabeça branca e muito simpático, me tratava com todo cuidado.

O filho de seu filho e por ser o topo da estirpe, tinha o trato imperial...

 

Vovô Tancredo paciente deixava seus afazeres para confabular sobre sua vida.

Tinha muitas histórias reais e imaginárias:

Pedro Malazartes era um dos protagonistas.

Outros eram os bens- te -vi.

Nos seus últimos dias, já acamado, pedia que eu fizesse sua barba. Fora  quem me batizara.

Trazia balinhas de cevada nas latinhas da Sonkssen.

Chocolates Diamantes Negros.

Sempre carinhoso dava toda atenção aos reclamos que apresentava.

 

Os docinhos de banana com chocolate cortados em losângulo a vovó Lindinha não deixou a receita. Fazia especialmente para mim. Guluseima inesquecível.

 

Dos tantos bisavós, conheci apenas um...

Vi uma vez talvez. Ainda me lembro: Paletó, gravata, bengala, meio careca, meio curvo andando no terreiro do sítio.

 

Saudades queridos vovôs inesquecíveis.

 

(...)

 

Agora sou eu.

 

Serei vovô. Estou me preparando.

Uma espécie de gestação à distancia.

Verdadeiramente um estado interessante ser aprendiz de avô.

Gestar a expectativa para o se-lo.

 

É um dom.

O dom especial que se adquire.

Título nobiliárquico.

Vale mais que a carta patente de oficial superior das forças armadas de qualquer país.

 

Ser avô !

 

Ser avô, para quem não sabe, vale definir: Ser avô é ser avô.

E o conteúdo exprime a grandeza inexplicável e profunda do termo.

 

Ser avô traz consigo músicas doces e perfumes suaves.

Encanta os netos e o próprio avô.

 

Ser avô tem censura dos filhos.

Mas não dos netos.

O avô é quem expede a carta de alforria,

ou decreta a extinção da pena, impõe regras parciais,

sempre favoráveis aos netinhos e às netinhas.

Nem que estes já tenham mais que a maioridade.

 

O avô ensina o lado melhor da vida aos seus netinhos de qualquer idade.

Mesmo que já esteja ultrapassado.

Dá escondido, balas, bombons e até um trocadinho para o sorvete. Ignora notas vermelhas e autoriza,

Passando por cima de ordens superiores, que no próximo sábado ela vá ao baile...

E ainda, quem sabe, dá um dinheirinho à mais para o ingresso no cinema da soirée. ( ! )

 

Normas colhidas dos velhos manuais dos avós.


Todos gostam da casa do avô.

Tem biscoitos fora de hora e não precisa estudar, pode brincar com os primos até depois do jantar. E se não tiver fome, pode jogar bola até a meia noite sem se preocupar...

Esqueça o jantar.

E se não tiver primo, brinca com o próprio vovô.

 

(...)

 

Na casa do avô não precisa tomar banho, escovar os dentes e fazer uma porção de coisa chata que o pai e a mãe mandam fazer.

 

Não existe castigo na casa  do avô.

Penalizar o neto é coisa ultrapassada já diziam os meus avós.

 

Pode andar descalço.

Não precisa se pentear.

Pedir colo. Dormir depois do avô.

Pode até, no colo do vovô, dirigir o fusquinha na avenida.

 

Essa é a regra da casa do avô.

Aliás a primeira regra da casa do avô é que não existem regras e tudo é negociável, com a aquiescência do vovô e da vovó.

Talvez por isso, os filhos do avô, enciumados, criticam a ampla e irrestrita liberdade democrática que impera nas casas dos avós.

 

O avô leva o menino no parque.

( ainda que nunca tenha ido ao tal parque) .

Leva a menina no shopping

( mesmo não suportando esse tipo de passeio fútil )

E se precisar... bem se precisar, pode contar com o avô.

Ele sabe mais... tem experiência e é tolerante. Afinal ele é o avô.

 

Se der tempo, isso é uma imprevisão porque a vida tem andado tão depressa, quero ensinar minha neta, que está chegando, a dirigir automóvel, pilotar barco e andar de bicicleta.

Mostrar o equilíbrio do ciclismo sem rodinhas explicando a vida.

 

A filosofia do avô é o resultado da longa jornada da estrada da própria história. Curvas, subidas, buracos, planícies, descidas: Dificuldades e aprendizados que se entrega despretensiosamente aos netos que haverão de sucedê-lo.

 

Ensinei o pai, que é bom no volante e darei explicações para a garota.

Isso se em 2028, ainda existir automóvel...

E ela, com seus quatorze aninhos, estiver a fim de passear com o jovem velhinho sabe tudo... Rica imaginação.

 

Mas não será de graça: Ela terá que me ensinar mexer no telefone celular,

Formatar a internet e jogar o jogo da velha on line.

 

Enfim, estou contando os minutos:  Rafaela chega em Julho, de mala e cuia, para ficar e para encantar toda a família e várias gerações, inclusive a mim seu avô paterno.

 

Vamos passear de mãos dadas no cair da tarde dos outonos cinza.  Nas primaveras que trouxerem o encanto das manhãs coloridas. Vamos passear pelas praias, pelas montanhas talvez e campos e campinas floridas dispostos especialmente para encantar a juventude e a vida renascendo, cumprindo o rito infinito do desconhecido, pela graça  e singeleza da neta querida que seguirá o rumo da eternidade.

 

Fruto do fruto que fui e frutifiquei, cumprimos na insignificância, o destino da eternidade cósmica.

Eu, o vovô, ela a netinha querida.

 

Aguardo sua chegada contando os segundos.

Apreensivo alguns momentos. Tranquilo outros.

Enquanto isso vou  treinando para ser vovô.

E rabiscando versos que é o que sei fazer para ofertar-lhe.

 

Tenho procurado textos, letras, palavras, conexões desconexas peculiares à singeleza de quem está para chegar.

Busco letras, pontos, cedilhas e travessões nas gavetas do meu coração: As expondo bagunçadas sobre a mesa dos meus sentimentos, para acertá-las bem direitinho, com maiúsculas no início das frases e reticências ao final, empacotando e as guardando para a Rafaela.

 

Carinhosamente vou entregar assim que puder.

 

Deus a proteja. ( Sempre !)

 
Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
titular da cadeira nº 35 da Academia São José de Letras.

sábado, 26 de abril de 2014

Pescadores artesanais indignados buscam justiça social!


Pescadores se encontram indignados.

O Expresso Vida apoia e divulga a manifestação dos pescadores artesanais do litoral do Piauí.

 


Parnaíba, 14 de abril de 2014

NOTA DE REPÚDIO

 A coordenadora do Movimento Nacional e Estadual dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP – PIAUÍ - BRASIL) vem de público, formalizar veemente repúdio, ao senhor superintendente da Pesca do Estado do Piauí, Márcio Kyldare, e a senhora Raimunda dos Santos e Sousa, presidente da Federação dos Pescadores e Agricultores do Estado do Piauí, referente ao acordo de Cooperação Sindical, que realizaram visitas as instituições de pescadores cobrando um imposto sindical junto as colônias e sindicatos, que consideramos inconstitucional, ferindo a nossa Constituição Federal.

 

O movimento nacional dos pescadores já esteve em Brasília, com diversas ações de vários estados, inclusive o nosso estado a respeito dessa problemática. Neste sentido, existe uma pressão por parte dessas pessoas citadas que impõe aos pescadores ao pagamento de um tributo, onde a coordenadora do movimento dos pescadores baseada na legislação federal, subentende que não devem pagar esse imposto, pois necessitamos ter conhecimento para onde se destina esse dinheiro e qual o seu retorno aos pescadores.

 

Uma superintendência (Piauí) que não tem a capacidade de emitir carteiras atualizadas que é um direito federal do pescador, e estão retidas desde 2012 nesta mesma superintendência. Para os pescadores terem os seus direito como um todo. Dessa forma, as colônias e associações não são empresas e ainda querem cobrar imposto sindical e ainda mais inconstitucional!

 

Compreendo que independentemente de raça, cor, credo e instituição, os pescadores tem todos os seus direito aparados pela Constituição. Apelaremos para a presidente Dilma Rousseff para saber a sua opinião, se é constitucional ou não.

 

Por estas e outras razões, a coordenadora do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Piauí (MPP – PIAUI-BRASIL), reafirma a sua posição contrária a qualquer ação que resulte a aplicação desse tributo aos pescadores.

 

Maria Celeste de Sousa

Coordenadora do Movimento dos Pescadores e Pecadoras Artesanais do Estado do Piauí – MPP – PI – BRASIL”

O reclamo dos pescadores artesanais é exemplar e mostra a insatisfação geral da classe. Recentemente o Expresso Vida publicou matéria http://vidaexpressovida.blogspot.com.br/2014/03/povos-tradicionais-e-caicaras-sofrem.html que revela o tamanho da insatisfação no litoral do Paraná.

 

Em Cananéia, no Estado de São Paulo a reclamação é generalizada. O Expresso Vida tem acompanhado o clamor daquela sociedade em relação a forma de administração do Ministério da Pesca que deveria estar ao lado dos pescadores e não está. http://vidaexpressovida.blogspot.com.br/2013/12/uniao-abandona-terminal-pesqueiro-de.html

 

Os pescadores de Cananéia, tem o amplo apoio do Expresso Vida que não medirá palavras e esforços nesse sentido, quer em favor do terminal pesqueiro de Cananeia, quer dos artesanais do Piaui ou do Paraná.http://vidaexpressovida.blogspot.com.br/2013/12/pescadores-revoltados-fecham-o-acesso.html

 

Roberto J. Pugliese
titular da cadeira nº35 da Academia São José de Letras.

 

Para os soldados da borracha a guerra continua !


Setenta anos após!

 

O Brasil é o país do engodo. É histórico e cultural. O povo e o governo tem por hábito secular ludibriarem os ingênuos. Lamentável que a história é repetida, desde que Cabral aportou na Bahia até os dias de hoje. E o povo, ingênuo alguns e malandro outros, gostam de miçangas e de cartórios.

 

O caudilho Vargas em troca de benesses dos Aliados, pressionado pela opinião pública, entrou na guerra mundial por volta de 1942 e entre os acordos firmados, foi incentivar a plantação de borracha, para suprir o estoque necessário que o mercado precisava, posto que a borracha do sudoeste asiático estava com os japoneses.

 

De modo inescrupuloso Getúlio Vargas valeu-se da miséra humana decorrente da seca ordinária e tradicional do Nordeste, especialmente no Ceará e incentivou a migração para o Acre.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 60 mil pessoas, a maioria da Região Nordeste, foram alistadas para trabalhar na extração da seringa e reforçar a produção de borracha na Amazônia. A borracha era enviada aos Estados Unidos e usada na indústria bélica dos Aliados para a guerra contra as forças do Eixo.Eram chamados de soldados da borracha.

 

Getúlio Vargas como todo e qualquer ditador prometeu mundos e fundos, inclusive trazer de volta esses miseráveis, após o término da Guerra e indenizá-los  pelo esforço de guerra. No entanto, simplesmente foram abandonados.

 

Desde que chegaram, os soldados da borracha, que saíram de clima seco, foram largados em fazendas perdidas na selva, humidas, longe das famílias que ficaram para trás, sem qualquer preparo e auxilio público.

 

Nunca foram indenizados ou tiveram ajuda para retornar.

 

Fato típico da história do país que se repete sob a vista de todos que fingem que não sabem. A direita, a esquerda e todos que tem poder se omitem. Até aqueles descendentes desses soldados nada fazem, e os que fizeram, assim fizeram, porém muito pouco, pelo tamanho  da tragédia.

 

Agora o Senado aprova u’a emenda constitucional para que esses soldados recebam R$25.000,00.

 

O Expresso Vida indignado, mostra a que ponto o povo brasileiro é abandonado históricamente ao seu próprio destino.

 

Roberto J. Pugliese
titular da cadeira nº35 da Academia São José de Letras.

Academia Sâo José de Letras elege diretoria.


 
No último dia 23 de Abril, em Assembléia Geral Ordinária, foi eleita a diretoria da Academia São José de Letras, da cidade de São José, em Santa Catarina, para o próximo biênio.

O presidente eleito se propõe a dar continuidade aos trabalhos realizados pelo presidente que deixou o cargo e se empenhar em difundir mais a cultura e os livros na cidade e região.

A chapa eleita por aclamação está assim composta.

DIRETORIA EXECUTIVA

 

Presidente: Rudney Otto Pfützenreuter – Cad 16

Primeiro Vice-Presidente: Roberto Rodrigues de Menezes – Cad 39

Segundo Vice-Presidente: Osmarina Maria de Souza – Cad 24

Primeiro Secretário: Augusto César de Abreu Teodoro – Cad 38

Segundo Secretário: Kátia Rebelo – Cad 30

Primeiro Tesoureiro: Osni Antônio Machado – Cad 37

Segundo Tesoureiro: Vanda Lúcia Sens Schäffer – Cad 5

Bibliotecária: Jane Maria de Souza Philippi – Cad 2

Assessoria Jurídica: Roberto José Pugliese – Cad 35 

Assessoria Cultural: Artemio Zanon – Cad 29

 

CONSELHO FISCAL

(5 membros)

 

Maria Elena Lamego Mattos – Cad 32

José Germano Cardoso – Cad 36

Augusto Barbosa de Coura Neto – Cad 26

Walter Jorge José – Cad 9

Volnei Martins Bez – Cad 10

 

O Expresso Vida está à disposição da Academia para divulgação de trabalhos e informativos. Deixa patente que sempre estará pronto para divulgar todas as expressões culturais. Do mesmo modo, Roberto J. Pugliese, acadêmico e editor desse blog também se colocou à disposição.
 
Por oportuno remete os cultos leitores à informação passada sobre a posse do editor em Junho de 2013. http://vidaexpressovida.blogspot.com.br/2013/06/roberto-j-pugliese-empossado-na-academia.html
 
 


Roberto J. Pugliese
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

segunda-feira, 21 de abril de 2014

1949 da Era Cristã. ( memórias nº82 )


Memória nº 82
Vivendo e apreendendo para que a história não se repita.

 

Foi durante a madrugada fria da cidade de São Paulo quase em 1950, às vésperas do tradicional dia do pendura  que ele nasceu. Asdrubal da Cunha já era o prefeito que administrava do Palácio das Indústrias; Adhemar de Barros sucedera o Embaixador Macedo Soares e governava o povo paulista no seu gabinete nos Campos Elísios e aquela quarta feira tipicamente de inverno tinha estampada no Diário da Noite, entre outras notícias, que La Vie en Rose, cantada por Edith Piaf, através dos discos de cera de carnaúba, 78”  rotações por minuto, tornara-se sucesso internacional. Inclusive no Brasil.

 

Num Citroen, 1946, preto, com paralamas laterais fora da carroceria, estribos expostos e o simbolo da tradicional marca em v sobreposto ao contrário no frontespicio do radiador, sua mãe, fora levada pelo pai às vésperas para a Maternidade São Paulo, nas emidiações do espigão da já aristocrática avenida Paulista, na qual então circulavam bondes elétricos, cujos trilhos eram ladeados por paralelepípedos que a par de enfeitar o solo, acrescentando charme ao elegante logradouro serviam para evitar a erosão do asfalto, provocada pela trepidação do transito daqueles coletivos.






 

 

No alto da Bela Vista, bairro suis generis, no qual, de um lado, mansões pertencentes à rica elite industrial e aos prestigiados fazendeiros de café habitavam, convivendo harmoniosamente Matarazzo’s e Lunardelli’s,  e de outro, mais ao norte, nos baixios do charco, ao redor da Igreja da Achiropita , nas proximidades do que alguns anos depois seria aberto o túnel, a avenida e a praça, o mesmo bairro da Bela Vista era palco de bodegas  populares, cercados de cortiços, no qual, italianos, também em harmonia às transformações sociais que se iniciavam, estavam cedendo suas casas para chegantes que contribuiam para que a cidade já alcansasse mais de um milhão de almas.

 

Nos páteos da aduana, no porto de Santos, importada pelo Deputado Federal Ortiz Monteiro,aguardavam emboloradas pelo tempo, a fiscalização severa de seus opositores, as inúmeras caixas com  aparelhagem da futura TV Paulista. No ano seguinte, a TV Tupi, canal 3, a pioneira na América Latina, pertencente ao poderoso Assis Chateaubriand, sem qualquer fiscalização desembarcou e subiu a serra, sendo solenemente inaugurada com a presença do presidente da república Getúlio Vargas, do Cardeal Motta e da graciosa menina Hebe Camargo, entre tantas autoridades e artistas, dois antes da concorrente que chegara primeiro.

 
 
 
 
 

São Paulo era símbolo de progresso, riqueza e desenvolvimento.A cultura e a organização social paulista já começava a provocar ciumes. Dispunha de dinheiro, mas o poder político a submetia a tragédia dos incompetentes, provocando o inconformismo, que outrora levou às trincheiras milhares de patricios pela Constituição.

 

Próximo à elegancia da avenida Paulista, o Pacaembu, estádio municipal, inaugurado em 1940 era então o maior do país. A Atlantida no Rio e a Vera Cruz  em São Paulo, disputavam musicais  em preto e branco,  ao som do Bando da Lua e da Orquesta Tabajara,   para exibirem nas  grandiosas salas dispostas ao longo das avenidas São João,  Ipiranga e redondezas, chanchadas estreladas por Mazaropi, Carlito, Grande Otelo, Virginia Lane, Dorinha Durval e valioso elenco. 

 

A cidade era calma, elegante, com o povo educado, desconhecendo a violencia e a multidão estúpida dos anos seguintes. Poucos automoveis pelas ruas  arborizadas em que retangulos de gelo  de cinco quilos eram pelas manhãs, deixados nas calçadas por serem raras as geladeiras domésticas, juntamente com o pão em filão e o leite, envasado em garrafas típicas com gargalo e a boca largas. Alguns também recebiam exemplares dos concorridos A Gazeta, Folha da Manhã e Diário Popular. Bucólico o  cenário da paulicea então ainda romantica e européia, com garbosos guardas-civis que circulavam equilibrados em bicicletas pintadas de preto e branco, de paletó e gravata, cacetetes, chapeus e luvas brancas, contrastando com o azul escuro de seus trajes.

A Via Anchieta ainda não fora totalmente concluída, mas o Hospital das Clínicas já se tornara a menina dos olhos de todos brasileiros. Essa era a síntise de uma cidade, de um povo e do estado federado que renascia com a democracia recém implantada em 1945.Nesse quadro épico, quase perdido no tempo, ele veio à luz.

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Mirrado, magrinho e bem pequeno, com peso e tamanho ínfimos, logo se recuperou da pressa de ter nascido com apenas oito meses. Mas chorava muito.

 

- Doi o ouvido, dizia um. É dor de barriga, dizia outro. Chama o médico... e a criança chorava dia e noite. Não mamava no peito, comia pouco e chorava muito. Vamos levar à benzedeira, profetizava alguem experiente. E o menino chorava.

 - É o frio... - É o barulho... - Ele quer colo... cada um que via, ou ouvia, dava sua contribuição.

(...)

 

Nunca foi um desportista. Não era de fazer força, usar da violencia ou praticar qualquer atividade esportiva. Jogava futebol, talvez por ser brasileiro e igual aos demais patrícios, gostar do esporte bretão. Era péssimo jogador. Muito ruim, nas peladas informais ia para o gol. No Arquidiocesano, onde estudou por cinco ou seis anos, era o suplente do timinho da sala de aula.

 

Percebia que ao repor as bolas que eventualmente agarrava, pois era frangueiro, mesmo sendo destro, a sua direção seguia sempre à esquerda. Nos raros jogos de volei,  a situação se repetia. Não dava muita importancia, mesmo intrigado, pois praticar esporte era tão ruim como ter que comer fígado ou palmito no almoço e sopa de aveia no jantar... Só por obrigação.

 






 
Comia pouco. Magro, muito magro, também não se desenvolvia, sendo bem menor que outras crianças de sua idade. Preocupados seus pais consultaram médicos para ver como resolver a inapetencia e o crescimento. Não havia remédio: Emunsão de Escote, Óleo de Fígado de Bacalhau, cálcio Genol, Biotonico Fontoura e outras bogagens da época. ( Não existia Vitasai ) Magro, pequeno, fracote... era palco de gozação de parceiros maldosos ou amigos próximos. Uma caricatura nariguda, esquálida que mal parava em pé.

 

Certo dia, foi decretado que iria para academia de ginástica. Coisa rara por volta de 1963. Luxo para poucos que gostavam de praticar esporte. Castigo para ele.

 

Na avenida Santo Amaro, próximo à rua Verbo Divino, no primeiro andar de um sobrado sujo e decadente, sobre uma loja qualquer, Mário Amaral, o conhecido protagonista do Gigante Amaral, das populares cestas de natal, tinha um dos raros estabelecimentos no genero e lá que foi matriculado para a prática de exercícios duas vezes por semana.

 

Um salão escuro, amplo, com aparelhos fixos no solo e nas paredes, cuja pintura desgastada pelos anos, mostravam um cenário triste, que mais parecia uma das salas de torturas descritas por Dante, nos epísódios de sua maior obra.

 

- Horrível.

 

Levantar peso, correr, esticar a perna, fazer flexões, competir com outros jovens mais encorpados,  suar, suar, suar... Ginástica assim e assada. Deitar naquele chão empoeirado, sujar as mãos, abraçar e se agarrar ao parceiro do lado...( Tanta coisa melhor para se fazer – ou nada fazer.)

 

- Que merda. (? ) ( ! )

 

Não sabia se questionava a trágica situação de sua vida ou a aceitava pacientemente.

 

Não sabia como resolver a cina trágica de estudar química, física, matémática, sair cedo enfrentando ônibus sujo e fedido para ir, debaixo de chuva fina para escola e ainda ser obrigado a fazer ginástica... Como resolver o problema que o atormentava. (? ) Era a gota d’água para o copo daquele adolescente imberbe.

 

Numa daquelas tarde, no salão sombrio da academia, o professor Amaral pediu que chamasse seu pai. Urgente. E assim foi feito.
 
 
 
 

 

- Seu filho tem um problema no braço. Veja: Não estica. O esquerdo é normal.

 

Mexe daqui, mexe dali, levanta, estica, põe para lá, põe para cá e foram para o médico.

 

Dr.Aleixo, o ortopedista  que o examinou entendeu recomendar  alguns exames no Hospital Santa Catarina, onde atletas de clubes de futebol, se tratavam, dada a alta especialidade no assunto e equipamentos de primeira linha ali instalados.

 

Foram vários exames. Num deles,  deitado numa cama de ferro, iria ser fotografado ou algo assim, percebeu que sobre seu corpo, alguns centimetros acima, uma caixa de ferro pesada, suspensa por cabos e fios, poderia cair e falou com o médico a respeito.

 

- Não se preocupe menino. Isso nunca aconteceu... é bem fixo e preso. Vou ligar tudo, e descer o cabo para passar pelo seu ombro. Fique tranquilo.

 

O médico deu as costas e a aparelhagem caiu, fazendo um estrondo e assustando a todos... mas sem machuca-lo, pois a peça se espatifou rente à sua cabeça e ombro esquerdo. Coisas do destino.

 

(...)

 

Conclusão do ortopedista: Seu filho ao nascer deve ter quebrado o bracinho. Ou um familiar o pegou de mal jeito ou no hospital alguma enfermeira, ou caiu do berço... enfim, talvez a babá ou a madrinha ou alguém por descuido quebrou com poucos dias de vida e, por não saber se expressar, o braço foi sedimentado naturalmente, porém torto, dando esse defeito, que é imperceptível...

 

Assim, por longos meses, num passado já distante, Lourenço chorara no colo da avó Conceição, ora nos braços da tia Leta, ou nos seios de sua mãe. Ora receitavam chá para prender, ou leite para soltar, ou pingavam óleo no ouvido esquerdo, ou alcool no ouvido direito...e nada do choro parar.

 

Chorava sozinho no berço, nos braços do pai, do tio, do avô e numa angustiante injustiça irreparável, com o bracinho quebrado, se mostrava um nenezinho chato...  E sendo mínima a diferença comparado com o braço esquerdo, ninguém percebia que o antebraço, junto ao ombro direito se atrofiara alguns poucos centímetros e, a dificuldade para esticá-lo, não fora  notada por ele ou por qualquer adulto.

 

Enfim, a receita foi curta e horrivel: - Operar não vale a pena. Melhor praticar esportes. Jogar tenis, por exemplo... disse o médico na sua sabedoria. O exercício nessa idade deve ajudar.

 

- Veja os braços da Maria Esther Bueno !

 

Com raquetes novas que ganhara de seu avô, todo fardado à carater, tentou duas partidas, porém... Tentou pingue -pongue, menos exaustivo... porém...


 
 

Porém a cidade cresceu, extrapolou os próprios limites, subiu a serra de Mairiporã, atravessou a serra dos Cristais, se expandiu por todos os lados.

 

O planalto de Piratinga se transformou na mais vibrante metrópole do sul do planeta. O berço de Bartira, generosamente, sem destinção acolheu aqueles que a procuraram para melhor saber, melhor viver, melhor expor suas qualificações ignoradas noutros cantos. São mais de dez milhões de almas laboriosas.

 Chegaram ao longo do tempo os cabeças chatas, os olhos puxados, os gordos, os altos, os pobres, os famintos, os mansos e os perseguidos. Vieram todos que queriam ajuda. São Paulo inchou.

A Bela Vista se tornou o Bexiga dos teatros, da gastronoomia, dos menestréis e amigos da noite. Sede de Escolas de Samba, ponto de malandros, palco da boemia moderna. A Avenida Paulista transformou-se no coração financeiro do país, mandando para longe os industriais e os plantadores de cana, soja, acuçar  e o canal 05, do deputado passou para as Organizações Vitor Costa e foi engolido pelas Organizações Globo. O estádio do Pacaembu perdeu a charmosa concha acústica em desuso e virou Paulo Machado de Carvalho. Já não é mais  há longa data o maior.

 

As academias de ginásticas  se espalharam pelas esquinas; os poucos carros do pós guerra, agora se congestionam disputando espaço entre sete milhões que transitam diuturnamente na cidade que não dorme. A chanchada cedeu lugar para o cinema novo e foi se atualizando. As salas de exibições, desde ha tempos bem seletivas, se esconderam nos shoppíngs e tudo mudou. As novelas das televisões invadiram os lares graciosamente e as raras salas de cinema que ficaram nas avenidas, transformaram-se em igrejas ou faculdades.

 








 

Enfim, Lourenço desistiu do tenis e limitou-se a jogar futebol. Sim, jogar futebol: O popular futebol de mesa, numa tentativa menos cansativa  para desenvolver o braço curto. Mas não deu certo. E guarda com sabedoria a lição: Sua neta, que irá nascer em breve, se tiver crises de choro, não arriscará seja a herdeira injustiçada e será melhor observada, pois poderá seguindo o exemplo do avô, ter um dos seus bracinhos quebrados por algum descuido ou travessuras ( bla, bla, bla ... o resto todos já leram. )

 
Roberto J. Pugliese
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

Projeto 7 Criativo


O Expresso Vida prestigia o evento e convida aos amantes da cultura para prestigiarem também.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Titular da cadeira nº 35 da Academia São José de Letras.

domingo, 20 de abril de 2014

Navegando pelo Lagamar. - Reportagens

O Expresso Vida apresenta dois filmes do Lagamar . 
 
 
Acima a viagem virtual entre Cananéia e Antonina. Muito interessante.
 
  
  
 
Acima passeio entre Cananéia e Guaraqueçaba.


O Expresso Vida recomenda assisti-los e ir pessoalmente navegar na região do Lagamar. Uma região preservada compreendida desde de Iguape até a o litoral norte do Paraná.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
( foi vereador em Cananéia )

O mundo fecha os olhos para o Tibete.


 

Sua Santidade o 14º Dalai Lama



Bandeira do Tibete



POTALA


Tibete Invadido -1959

A história do Tibete tem dois mil anos e revela toda a cultura pacifista de um povo, hoje invadido e violentado pela China, e ignorado pela comunidade internacional.

Até a invasão indecente dos chineses que se deu paulatinamente a partir de 1950 e culminou em 1959, com o exílio de SS o Dalai Lama, esse povo montanhês, cercado de cordilheiras, conhecido internacionalmente como habitantes do Teto Do Mundo, e pelo isolamento, tinha sua cultura própria que incluía costumes religiosos  budistas peculiares, modo de vida feudal, com castas e língua distinta dos vizinhos.

Viviam à semelhança da Europa Medieval. Isolados, pacíficos e felizes. No entanto, com a vitória comunista em 1950 pelo Mao Tse Tung, na China, iniciou-se a invasão daquele estado até então soberano e reconhecido na ordem internacional.

O lugar coberto de neve por todos os lados adotava regras e sistema de vida medieval. A população vivia sob um regime de servidão feudal, que combinava poderes políticos e religiosos. Não havia estradas, carros – só era possível viajar a pé ou no lombo de animais–, nem mesmo luz elétrica. A comunicação com o mundo exterior, assim como o desenvolvimento econômico, era próxima de zero. O povo é dividido em castas. Mas o povo era, ao seu modo, feliz.

Cerca de quatrocentos mil militares chineses enfrentaram bravamente seis mil tibetanos que não dispunham se quer de armas adequadas, sendo que a maioria dos soldados se valia de arcos típicos de caçadores.

A chacina foi horrorosa. E além da mortandade, os invasores destruíram seus templos e bibliotecas sem dar satisfação para ninguém. Calcula-se que um milhão de tibetanos morreram após a invasão.

Seus costumes tribais desde então têm sido exterminados e os tibetanos correm o risco de desaparecer.  Verdadeiro genocídio que ocorre desde aquele ano e vem se agravando cada vez mais.

O Tibete está situado numa região estratégica. De suas montanhas nascem os grandes rios do sudoeste asiático e o subsolo dispõe de muitos minérios que está sendo explorado. O povo tibetano tem sido obrigado a sair de lá e viver noutras regiões da China, de forma que a população é atualmente mínima, com a maior parte, de origem chinesa.

Há rumores que o Tibete também se tornou um depósito de minérios radiotivos. Tornou-se o lixo da China.

Dharamsala, na Índia, é a sede do governo no exílio, onde S.S. o Dalai Lama e seus apoiadores vivem, com cerca de 130 mil habitantes. No território originário do Tibete no entanto a cultura local está sendo extinta à força. Até a língua local é proibida.

O Expresso Vida apoia a causa de liberdade do Tibete e não entende como o Brasil ainda mantém relações diplomáticas com a China, diante de tanta crueldade.

Roberto J. Pugliese
Membro efetivo do Instituto dos Advogados  de Santa Catarina.