10 agosto 2013

Lourenço recebe ministro no Clube ! ( memória nº 19)


O  ministro e o Iate Clube.

 

Quem conhece Itanhaém sabe muito bem do lugar privilegiado pela plástica natural que é o Porto Novo. Na Prainha, o Iate Clube fica estrategicamente situado entre o morro e o rio.

 

Entre a ponte e o Iate Clube, ao longo da orla fluvial há uma alameda, e algumas casas dispostas de frente para o rio, são privilegiadas pela vista e demais condições naturais.

 

Numa delas, José Pires, ou como os amigos mais próximos chamam, Zeca Pires, irmão de Guiomar com quem esteve nas trincheiras de 1932 defendendo São Paulo e a Revolução Constitucionalista e Lauro outro irmão, também freqüentador da cidade e do clube.

 

Lourenço é ainda amigo de Alexandre, filho de Guiomar, a professora do colégio de freiras, e conhecia bem seus tios. Freqüentava aquela casa, cuja lembrança mantém ainda na memória.

 

Zeca à época, nos anos que corriam em 1960,  talvez tivesse mais de 60 anos e era o proprietário do bangalô. Mas pouco freqüentava. Vivia em Brasília, envolvido com política e políticos. Trabalhara com o ministro Jair Soares  que foi governador do Rio Grande do Sul, e tempos idos, fora prefeito de Miracatu, uma pequena cidade no Vale do Ribeira, mais ao sul cerca de 100 km.. Sempre envolvido com cooperativismo e agricultura.

 

Vivíamos os anos de chumbo e o ditador da época era Gisel, o truculento General do Exército que tinha como seu Ministro da Agricultura, um mineiro de Banbuí, Alysson Paulinelli, bastante moderado para o clima político daqueles tempos perversos.

 

Lourenço estava no Iate Clube no final de uma tarde de sexta feira. Era ferias de verão e por alguma razão, naquele crepúsculo não havia ninguém, salvo os empregados que estavam, se  organizando para enfrentar o final de semana, muito concorrido como de praxe durante as ferias.

 

Para sua surpresa, vindo do interior para a rua, pois o clube estava vazio, no jardim que existia à época entre a piscina e a quadra de basquete, se depara com o ministro da Agricultura. Sozinho, meio perdido, sem saber bem o que fazer. O Ministro da Ditadura entrara no clube sozinho e estava perdido entre a quadra de basquete e a piscina.

 

Surpreso Lourenço o encara numa distancia de 30 ou até menos metros vendo se haviam outras pessoas que o acompanhava. Seguranças, amigos, diretores… enfim, alguém, mas o Ministro estava sozinho, motivando fazer as honras da casa e apresentar-se.

 

Lourenço saudou com respeito o Ministro que se justificou dizendo que estava aguardando seu amigo chegar e que por sua orientação que ainda estava no banho sugeriu que fosse para o Clube.

 

Diante da situação que se apresentou, Lourenço não teve outra alternativa e  fez confidente as honras da casa. Sugeriu mostrar a autoridade chegante as instalações. Enquanto Zeca não chegou, levou o Ministro até a Praia das Saudades, mostrando a garage de barcos, as quadras de bochas, bares, boates e demais dependências.

 

Esse quadro deve ter passado por volta de 1978 ou no ano seguinte.

 

Para lá e para cá quando Zeca Pires chegou Lourenço entregou o Ministro ao verdadeiro anfitrião, foi para sua casa e comentou o fato.

 

Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

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