domingo, 27 de janeiro de 2013

TRAGÉDIA DE SANTA MARIA: Depoimento.


DEPOIMENTO DE QUEM ESTAVA NA TRAGÉDIA.
O Expresso Vida transcreve o depoimento de Ezequiel Real.

27 de Janeiro de 2013
Nunca imaginei que uma brincadeira daria nisso!
Acompanhei o início do fogo que veio das faíscas do sparkles e se propagou pelo teto nas esponjas do isolamento acústico.
Não me apavorei porque não achei que poderia lidar com a situação, mas vi muita gente entrar em pânico, cair e desmaiar umas por cima das outros, era um mar de gente atirada. Vi que muita gente em crise acessou a porta mais próxima, que era a do banheiro e se alojaram lá dentro. Vi pessoal que trabalhava se escondendo até dentro de freezers! Quando vi que não tinha mais jeito de sair pela saída principal dei a volta na areá vip e sai pela lateral empurrando e pisando por cima de muita gente, acredito que não sairia se não fosse pela força que utilizei para passar pelas pessoas, ao sair olhava para baixo e via que pisava e cruzava por cima de mulheres e homens desmaiados. Foi uma merda sair por uma porta de no máximo 2 metros e ainda com uma mesa atravessada e todos aqueles corrimões atravessados no meio do caminho. Não vi alarme soando, só gritos, não vi luz de saída, só fumaça. Quando sai me passou na cabeça as pessoas que passei por cima e voltei para retirá-las pois não agüentava escutar berros, ver policias e bombeiros sem dar conta, porque tinha muita gente empilhada. Quando entrei tinha que escolher quem salvar, mas até aí não tinha passado na cabeça a MORTE.



Muita gente apavorada e nenhuma organização, tivemos que levar muitas pessoas desmaiadas no colo até o topo daquela subida para largar dentro de ambulâncias, uma estratégia deveria ser montada faltou para aproximar atendimento das vítimas, mas não culpo porque mal cabia duas pessoas dentro de cada ambulância
Sem ter saída para a fumaça e não podendo ver mais ninguém para poder ajudar começamos a abrir um buraco na parede, arrancar madeiras, grades, janelas destruíramos o isolamento acústico. Ao abrir o buraco na parede para entrar no caixa e um bombeiro me convidou para entrar porque sozinho não conseguiria tirar as pessoas. Entrei e pela primeira vez vi a morte pessoalmente. Vibrava a cada pessoa que saia, mas eu via que nenhum estava com vida. Vizinhos me molhavam e molhavam panos para que eu pudesse entrar mais para o meio da boate, logo um enfermeiro do SAMU me pediu para sair lá de dentro, pois tinha risco de desabar. Não acreditei e ele me mostrou que todos que saiam daí para frente estavam mortos, mesmo assim voltei, peguei uma lanterna com um policial e voltei para ver se alguém se mexia ou pedia socorro. No primeiro momento que liguei e foquei a luz na área vip vi muitos corpos, não sabia mais o que fazer, perdi forças porque vi gente pendurada em grades, vi pessoas empilhadas uma por cima das outras e não era uma ou duas dezenas, era muita gente.
Imagem que nunca apagarei da minha cabeça, não tive força física para ficar ali e tive que sair derrotado de dentro daquele buraco, não entendi a noção e o tamanho da tragédia. Vim abatido para casa, pois não agüentava a dor nas pernas e na cabeça. Acordei agora ao meio dia com amigos atrás de mim, liguei a tv e vi a relação de pessoas mortas.
Queria ter feito mais! Mas sei que tanto eu quanto meus amigos e voluntários deram o máximo.

Agradeço a todos, pois são irmãos que abraçaram a causa e davam sangue pelas vítimas. Eduardo Flores da Silva Eduardo Buriol de Oliveira Matheus Fettermann André Luis Kettermann Coutinho Kassio Lutz Marcos Vinicius Soquetta Jeferson Ribeiro Lima Caixa Anderson mtos outros desconhecidos bombeiros policiais e todos os voluntarios profissionais da saúde”


O Expresso Vida lamenta o acidente e se solidariza as dores dos amigos e parentes de todas as vítimas, aproveitando para pedir sejam apuradas as responsabilidades, inclusive dos Poderes Públicos e de modo exemplar e rigoroso punidos todos os culpados.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

LIXO NO LITORAL


Lixo no litoral.

Veranistas  do litoral paranaense estão insatisfeitos com a coleta de lixo nas praias. A situação mais alarmante se dá em Pontal do Paraná. Em Matinhos e Guaratuba a situação não é tão grave, mas também há acúmulo de lixo em algumas regiões.

Muitos proprietários de imóveis situados na região, residentes noutras cidades e costumam ir ao litoral paranaense veranear, estão bastante desanimados.

 “Fico desanimado em vir para minha casa na temporada e não ter uma coleta de lixo eficiente. As crianças não podem brincar em frente de casa pois tropeçam em sacos de lixo que estão há dias na calçada”, diz o empresário Gustavo Vieira, que veraneia em Pontal do Paraná.

Mas os moradores das cidades, com o aumento de 30% da produção de lixo, também ficam desgostosos. E o comércio das cidades litorâneas também sai perdendo.

De acordo com Marcelino A. Kobata, membro do Conselho da Associação das Micro e Pequenas empresas do litoral do Paraná (Ampec-PR), o comércio local também saiu prejudicado. “Aumentou muito o número de veranistas em comparação ao verão passado. É muita gente para pouca estrutura. Passei nos balneários de Atami e Primavera e o acúmulo de lixo lá estava crítico”, afirma Marcelino.

O Expresso Vida é solidário à população local e visitante do litoral paranaense, mas adianta que essa falta de estrutura e higiene não se limita a essa região. Praticamente o litoral brasileiro inteiro, durante a temporada de verão, até praticamente o carnaval, fica tumultuada e com os serviços públicos bem acanhados diante da realidade que repentinamente transforma cidades, vilas e balneários, com aumento bem saliente da população, provocando falta de água, corte de energia elétrica, ausência de transporte público adequado, repartições policiais com excesso de público e até falta de atendimento médico hospitalar condizente.

O litoral brasileiro é picoteado de ilhas. Na costa de Angra dos Reis são trezentos e sessenta e cinco, contam as chamadas turísticas, com destaque para a preciosa Ilha Grande, outro exemplo da falta de planejamento do turismo brasileiro.

Nos meses de verão, quando milhares de visitantes atravessam de Mangaratiba ou de Angra dos Reis para as várias comunidades da ilha, além das embarcações particulares, faz com que o excesso de pessoas, polua socialmente a encantada maravilha do litoral carioca. E tudo porque, de um lado, a população, com raras e singulares exceções não tem educação mínima e de outro, o Poder Público não dá a mínima estrutura para que o turista, o veranista e o visitante a freqüente.

Então, tanto na Ilha Grande, ou na Ilha do Mel, ou em qualquer outra ilha maravilhosa da costa brasileira, com o enorme fluxo de pessoas, não há policiais suficiente e os serviços públicos ficam bem aquém das necessidades... faltam profissionais qualificados até para carregar malas de quem desembarca e vai para uma pousada, distante as vezes quinhentos metros do peer.

Enfim, o Expresso Vida lamenta profundamente o quadro tétrico do turismo desestruturado de Pindorama.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

( Fonte= praias do Paraná.com.br )

sábado, 26 de janeiro de 2013

Agente policial se recusa a atender vítimas de assalto.


Agente policial se recusa a atender vítimas.

Coqueiro da Praia, bairro de Luis Correa, Pi.,na residência de Maria das Graças de Souza Brito, foi arrombada por ladrões desconhecidos.Foram furtados documentos pessoais e cinco carteiras e em torno de R$1.000,00

As vítimas procuraram a Delegacia de Policia Civil de Luis Correia onde encontraram o Plantonista identificado por João Equeliástico que se recusou a registrar o B.O. (Boletim de Ocorrência), alegando que a noite não se registra B.O, e mesmo que registrasse, ele não sabia fazer. Era madrugada.

Indignados as vítimas procuraram a CIPTur (Companhia Independente de Policiamento Turístico) que juntamente com os PM’s do Serviço Reservado deslocaram-se e foram até a casa arrombada, constatando o fato.

As vítimas informaram ainda que ao chegarem na Delegacia quase que derrubaram a porta da de tanto bater e o plantonista não acordou, sendo necessária a intervenção da Policia Militar para que ele acordasse e ainda assim não registrou um mínimo B.O.

Não é a primeira vez que fatos desta natureza acontecem na Delegacia de Luis Correia envolvendo este plantonista

Pindorama tem entre outras essa característica peculiar. Servidor público pensa que é titular de direitos absolutos e esquece que é funcionário para servir o povo, seu verdadeiro empregador.

O fato foi noticiado no Jornal da Parnaíba e provavelmente será levado ao conhecimento do Delegado Regional para tomar providencias.

Nessa altura, não se sabe avaliar se o furto provocou maiores danos que a desídia policial e qual dos atos ilícitos é de maior gravidade.

Infelizmente é o quadro contemporâneo brasileiro de norte a sul, de leste a oeste.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

( Fonte: luiscorreiapolicia24horas )

Exercício ilegal da profissão é crime !



João Carlos da Rocha Mattos, ex-juiz federal, condenado e que perdeu o cargo, será processado criminalmente pela Ordem, pois disse publicamente, que não assina petições, porém está com escritório assessorando diversas pessoas.
O exercício irregular da profissão é crime.

Diante da publicidade do fato, ofício foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo para dar inicio a apuração dos fatos.
Condenado há vinte anos de prisão está cumprindo a pena em regime aberto.

O ex-magistrado e agora condenado continua no mundo das práticas ilícitas.
Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

Aviação insegura ! atenção.


 

PERIGO NO AR. INSEGURANÇA!

 

Pesquisa elaborada na Alemanha, considera as 60 maiores empresas aéreas do mundo, levando em conta, os números de passageiros, acidentes e mortos para estabelecer ranking de segurança entre as maiores do mundo.

Segundo a organização, Finnair , da Finlandia é a mais segura do mundo, seguido por Air N. Zealan, da Nova Zelandia.

A Consultoria alemã Jet Airliner Crasch Data Evaluation Centre coloca a TAM e a Gol entre as piores do mundo em questão de segurança.

O ranking de 2012 da consultoria alemã Jet Airliner Crash Data Evaluation Centre (Jacdec) com as 60 maiores companhias aéreas do mundo (as com maior índice passageiro por quilômetro transportado), coloca as empresas brasileiras TAM e Gol entre as piores em segurança. A estatística estabelece como sendo uma empresa chinesa a pior, seguida pela Tam e por uma empresa indiana, sendo a Gol a quarta colocada.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas, que reúne Avianca, Azul, Trip, Gol e Tam, "entende que tal levantamento de maneira alguma reflete a situação atual de segurança das companhias aéreas". Acrescenta mais: “Esta entidade faz um levantamento do histórico de acidentes, considerando também o número de fatalidades envolvidas, e este índice realmente não avalia o nível atual de segurança de uma empresa aérea. O padrão utilizado não traduz a situação de segurança ou insegurança de uma empresa”, explicou, em nota, Ronaldo Jenkins, diretor de Segurança e Operações de Voos da Abear.

Ainda segundo a Abear, "nenhum profissional do setor leva a sério essas listas e rankings de empresas mais ou menos seguras. Elas normalmente são elaboradas a partir de dados históricos, não refletem em absoluto as práticas correntes de segurança das empresas aéreas e não avaliam em absoluto o nível de segurança praticado”.

A informação foi colhida pelo Expresso Vida do blog noreply@blogger.com (Claudionei Citadin ( Aeroblogjoi )).

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.
( Fonte – Aeroblogjoi )

DOCUMENTÁRIO DESTINADO À JUVENTUDE


 

Prof. Guimbala produz documentário.

 

Será lançado em Joinville no dia 30 de Janeiro, às 20 horas, na Escola Estadual João Rocha documentário elaborado com base no livro “Adolescência Normal”, de Mauricio Knobel e Arminda Aberastury,  clássico da psicologia que norteia profissionais há quase 50 anos. Retratos de uma Juventude, vídeo que aborda a adolescência.

 

Alunos da própria escola, estudantes do Colégio Celso Ramos e da Lupa Cursos são alguns dos personagens do documentário, que reúne depoimentos de adolescentes, falas de profissionais da área de psicologia e narrativas ficcionais para abordar algumas das principais características desta fase da vida.

 

— Depois do primeiro ano de vida, é na adolescência que o ser humano mais passa por mudanças, sejam elas biológicas, psicológicas ou sociais —, ressalta o professor Guilherme Guimbala Junior, um dos autores do documentário.

O filme reúne em vinte minutos de exibição as fases da adolescência.

 

Além da exibição, está programado debates e pesquisa. Quem quiser participar da pesquisa ou tem interesse em assistir ao documentário, pode enviar e-mail para advguimbala@yahoo.com.br.

 

O trabalho já foi exibido em Garuva e Joinville para aproximadamente 2.300 jovens e é recomendado.

 

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

( Fonte – A Notícia )

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Viva São Paulo ! convite

Na data de aniversário da grande metrópole, O Expresso Vida convida aos seus ilustres leitores, paulistas, paulistanos, brasileiros de todos os cantões a visitarem os endereços abaixo.

São textos já publicados no blog que acompanham pequenos tapes em homenagem a cidade de São Paulo.

Músicas e depoimentos.





 

Viva São Paulo,

Roberto J. Pugliese


Autor de Direito das Coisas, Leud

Membro da Academia Itanhaense de Letras.

Parabéns, feliz anivesário!


Parabéns, feliz anivesário!

Poesias da Amiga
Mario de Andrade

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

 

 

Para a querida São Paulo de sempre!

 
 
Para a querida São Paulo de sempre!
A semana de 25 de janeiro é para nós paulistas e paulistanos tempo de festas. De alegria em comemoração pelo aniversário da grande cidade que, pitoresca desde a santa fundação, à sombra do Colégio de Jesuítas do platô da Sé, ao longo de sua rica história tem motivos de sobra para orgulhar seus filhos: Detentora de generosidade singular sabe bem receber seus tantos e tantos migrantes a par de por tradição de seu povo ajudar a quem precisa.
Trata-se da mais pujante das pujantes metrópoles porque vive por si. Não é dependente. É líder, conduz, não é conduzida.
A honra de ser paulista e paulistano não se limita aos seus filhos naturais. Os chegantes adotivos, milhões que atravessam o país e o mundo para nela se estabelecer, por serem tratados indiscriminadamente como iguais e sentirem-se queridos, inflam seus peitos de orgulho e afirmam alto e em bom som que são da cidade, e por sê-los, se consideram vencedores.
Sim, o paulista é vencedor.
A cidade vibra sempre acesa. Não cochila. É o ponto de partida e o objetivo final para a difícil trajetória do cotidiano brasileiro. Mutante, segue sempre avante. Todo dia se transforma sem desprezar o passado, pensando no futuro. É a explosão diária da nova dinâmica do sucesso.
É a cidade própria dos que agem e pensam grande. Paradigma do arrojo, o paulista mantem o espírito da aventura de seus antepassados desbravando as entranhas do conhecimento.
E no caótico cotidiano paulistano, com as chaminés de suas indústrias poluídas pela fumaça do trabalho de seus operários, a cidade embaçada pela fuligem cinza que escapa do movimento incessante de tanta gente, S. Paulo é paradoxal e da aparente insensibilidade dos que nela transitam,surge a doce metrópole das artes, na qual, o poeta  tem espaço para alinhavar suas estrofes e ainda se escutam canções cuja melodia vem no embalo de seus compositores. São Paulo canta a música dos trovadores que vieram de longe por terem seus talentos rejeitados.
A laboriosa metrópole se faz limpa, leve, musical e colorida pelo balsamo dos seus artistas.
Mesmo trágica, sob as enxurradas das tempestades constantes e intermináveis congestionamentos de veículos o laborioso povo encontra tempo para os cafés, os teatros,as casas de diversões. Crente, freqüenta os incontáveis templos de todos os credos.
Maravilhosamente elegante, sua moda faz do tempo o templo das linhas retas e curvas arrojadas. A cidade abriga os mais notáveis intelectuais; os mais brilhantes cientistas e os mais dedicados juristas.  E suas universidades ensinam o mundo.
Solidariedade impar. Recebe carinhosamente a todos. Independente da origem e dos destinos, o paulista e o paulistano valorizam o trabalho dos que nela se instalam para vencer.
É a terra que pertence ao mundo. Não tem fronteiras.
Liderando e impondo suas razões de forma a mostrar que sabe como ninguém, o paulistano soberbo não exibe modéstia: Trabalha, organiza, resolve, constrói e sem cessar, nunca se cansa e atento está ao lado de todos que dele se socorrem. Arrogante, é sempre, naturalmente o comandante. Orgulha-se de saber impor o caminho do sucesso e trazer soluções: Em S. Paulo, no Brasil e no exterior.
S. Paulo é a síntese de todas as sínteses do país. É a síntese do século XXI
Enfim, aproveitando a festa, conto o segredo: O privilégio de nela nascer é benção que ilumina caminhos. Agradeço aos meus Protetores a graça de te-la vivido e nas entranhas de suas avenidas, becos, prédios, vielas, parques, jardins, escadas, túneis e vilas ter sobrevivido e dentro de seus confins conhecido o melhor saber.
É a própria escola da vida. É o melhor conhecimento. É a arte, o esporte a ciência. São Paulo ereta tem tudo; é tudo; é simplesmente o resumo de tudo.
Parabéns a todos que ajudam a construí-la, fazendo do asfalto que a tinge de suor vermelho do sangue heróico de seus habitantes, a maior metrópole cristã,solidária, humana e paulistana.
Parabéns aos que movidos pela ambição, transformam o cimento árido de suas incontáveis construções, o adocicado perfume da calorosa metrópole sempre nascente.
Non Duco, Ducor.
Parabéns!
Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Perda de uma grande humanista.


MARIA DO FETAL DE ALMEIDA -

O Expresso Vida lamenta profundamente o falecimento de Maria do Fetal de Almeida, natural de Portugal, com nascionalidade francesa, residente no Brasil há mais de dez anos.

Morreu assassinada em sua casa, em São Paulo, no dia 31 de Dezembro último. Seu currículo em defesa da humanidade e de um mundo melhor foi construído ao longo dos anos e é dos maiores e melhores.

Aos sete anos de idade, nos tempos difíceis de Salazar, na tenra idade infantil, na fronteira portuguesa, por não gerar desconfiança das autoridades, levava correspondências sigilosas para adversários da ditadura. Era época da Revolução dos Cravos.Despistava com sua inocência os guardas da fronteira.

Foi criada na França. Pobre, estudou com dificuldade e se formou na Sorbonne em pedagogia, tendo entre outros professores, o finado brasileiro prof. Celso Furtado. Comunista e católica acompanhou os trabalhos do MST no Brasil.

Fez mestrado na França e doutorado na USP, sendo aluna do professor. Milton Santos.

Trabalhava com o MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra há anos.

Interessante uma passagem de sua vida  em que envolve o subscritor dessa nota e merece ser divulgada:

Maria do Fetal era camareira num dos hotéis de grande luxo em Paris. Era estudante, admiradora do MST e camareira. Um político de renome no Brasil, hospedado por lá, estava negociando a remessa de dinheiro de São Paulo para ilhas Jersey. Dinheiro ilícito e da corrupção. Ouviu. Sabia português. Tirou cópias dos documentos e remeteu para o Brasil. O responsável pelo blog à época, coordenador do Instituto de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania, junto com outro diretor, recebeu e levou ao então deputado Carlito Merss, que assustado, disse que entregaria ao senador Suplicy. Ambos do Pt.

No entanto, à época os papéis não foram entregues ao Senador. Ou, se foram recebidos nada foi feito. Anos mais tarde, o político foi denunciado pelo crime que a Maria do Fetal descobrira...

Quando o responsável pelo blog escreveu Direito das Coisas, a Maria traduziu muitos livros e artigos que instruíram o livro didático para o curso jurídico que então lecionava.

Vale noticiar também que a finada era portadora de câncer há vários anos e nunca se deixou abater pela doença.

O Expresso Vida lamenta, vale repetir, profundamente a morte da Dra. Maria do Fetal de Almeida e se solidariza aos movimentos de direitos humanos que estão sofrendo pela perda da grande entusiasta e militante.

Deixa pezares para a família enlutada.

Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, Leud
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

domingo, 20 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Aposentadoria injusta e compulsória revela ingratidão.

Discurso de despedida.
 
( Texto lido no altar mor da pequena igreja de São João Baptista, em  Cananéia, na festa de despedida do Pe. João XXX, quando de sua aposentadoria compulsória, durante à Santa Missa celebrada em sua homenagem pelo RV. Bispo Diocesano de Registro. )
 
 
Reverendíssimo  Senhor Bispo Diocesano,
Reverendíssimo Pe. João XXX
Caros irmãos em Cristo,
 
 
Aprendi muito vivendo em Cananéia, como profissional e como ser humano e ainda valho-me da rica e singular experiência que tenho com seus filhos naturais e com os que iguais a mim, a adotaram como berço.
 
No entanto, destaco entre tantos e tantos conhecimentos que adquiri nesses trinta anos de intimidade com este povo, ter conquistado a rica amizade de João XXX, o pároco que aqui já estava há um qüinqüênio quando em 1976 o conheci. Tem sido para mim, ao longo desse convívio, um mestre. Meu grande professor e catedrático da cadeira pertinente aos assuntos da vida, justiça social e amor aos pobres.
 
Homem dedicado ao Evangelho soube difundir a verdadeira palavra de Cristo, enfrentando com freqüência castas de poderosos que tradicionalmente extraiam proveito injusto da boa fé do inocente povo cananeense. Não raras vezes, isolado e desacreditado, soube tornar-se paradigma de coragem e perseverança, sem medir esforços, valendo-se dos parcos meios de que sempre dispôs.
 
Enfrentando a covarde oposição dos que perdiam privilégios e ludibriavam a opinião pública, nunca deixou de ouvir e tomar para si, o clamor daqueles que pediam desesperados a distribuição da verdadeira justiça social coletiva ou a defesa de direitos mínimos de cidadãos ultrajados historicamente pelo poder político e econômico.
 
Sem qualquer receio de desagradar a quem quer que fosse, não desistiu nunca, advogando a causa dos injustiçados, dos excluídos e de todos aqueles que lhe bateram a porta. Não há nestes últimos  anos, um único clamor por justiça, que não tenha a frente,  o combativo Padre João XXX. Assumiu e liderou movimentos de pescadores, esteio da economia tradicional local, com o objetivo de libertá-los da escrava situação imposta por agiotas atravessadores inescrupulosos, travestidos de empresários.
 
Enfrentou a politicagem histórica de grupos cuja meta sempre fora integrar a administração pública para obter vantagens pessoais e coletivas, através de  verdadeira escravidão econômica, da exploração da pobreza e do autoritarismo espalhado pela periferia, sítios e praias distantes. Tornou-se o bastião da libertação dos oprimidos deste bucólico paraíso.
 
Transformou o púlpito sagrado da Igreja de S. João Baptista na tribuna das denuncias daqueles que não tinham voz, e fez das capelas isoladas nas ilhas e no seio da floresta atlântica, fortalezas vivas na defesa de mínimos direitos dos humildes caiçaras, a quem sempre dedicou todo seu esforço.
 
Mas a atuação do Padre João XXX  não se restringiu a edificação de trincheiras jurídicas em defesa dos isolados ilhéus. Durante sua abençoada estada à frente da paróquia, soube difundir a cultura da preservação ambiental, mostrando nas entrelinhas da Bíblia Sagrada, a indispensável harmonia entre os seres humanos e os demais seres vivos. Revelou a importância econômica do meio ambiente sustentável.
 
O vigário não deixou de lado os esquecidos descendentes dos quilombolas do Mandira, nem tão pouco os renegados guaranis, que hoje habitam a Ilha do Cardoso. Esses grupos diferenciados, assim como as diversas colônias de rurículas e pescadores dos aglomerados  isolados, sempre estiveram agendados no rol de suas infindáveis preocupações.Cotidianamente visitava as comunidades distantes, conclamando-as ao postulado legítimo de escolas, postos de saúde, estradas... enfim, orientando-os na sua formação cidadã e cristã.
 
Merecida, pois a honraria conferida pela Câmara Municipal, que lhe homenageou com  a invejável cidadania Cananeense, dando-lhe o status da naturalidade, por ser de merecida justiça igualá-lo ao não menos ilustre Monsenhor Barroso,criador do Museu de Arte Sacra de São Paulo, honrado filho destas ilhas,onde nasceu  nos idos de 1.700. Cananéia é o seu lar. Sua família é o povo cristão desse arquipélago. Esse foi o destino que ao longo da sua trajetória  escolheu e construiu. Essa é a sua fortuna.Fiel ao Evangelho de Mateus 6:19 a 21, não ajuntou para si tesouros na Terra, mas sim nos Céus.
 
 Holandês de nascimento deixou em definitivo o requinte e o conforto da Europa glamurosa, para cuidar carinhosamente dos sofridos brasileiros esquecidos do  Vale do Ribeira. Largou o afeto e o  calor de sua família natural, para adotar os cananeenses como verdadeiros filhos  e irmãos de sangue.
 
Fiel aos compromissos assumidos diante dos pergaminhos dogmáticos da Igreja Católica manteve-se, tal qual São Francisco de Assis  nos limites da pobreza e comiseração, que se lhe impôs os votos jurados.Puro de coração e não afeito a coisas materiais, não se preocupou com os dias da velhice, confiando na tutela vitalícia da entidade religiosa que integra, respeita e valoriza com suas preces e sermões.
 
Agora, porém, padecendo de males que insistem em debilitar seu vigor físico, mas que nem de longe atingem seu pétreo vigor espiritual, ao invés do indispensável socorro, sofre ainda mais diante da aposentadoria compulsória que lhe foi oferecida.
 
Abandonam o grande capitão.Tiram da condução de seu amado rebanho, o pastor  que por quase quatro décadas conduziu amorosamente suas ovelhas, pregando a verdadeira justiça, perseguida incansavelmente por Jesus.
 
Essa é a despedida que se lhe impõe os doutos do templo. Mas esta decisão, porém, limita-se somente a entrega do cargo que lhe foi confiado e por décadas soube exemplarmente exerce-lo. Nada mais que a aposentadoria que se lhe impõe, debitada pela fragilidade de sua saúde física.
 
Mas é a despedida de quem jamais partirá. De quem nunca irá embora. Tiram-lhe o cajado, mas o rebanho permanecerá fiel ao seu dedicado pastor. Pois assim como em Atos 17:24, as escrituras sagradas nos ensinam  que ”Deus não mora em templos feitos por mão humanas”, podemos afirmar com certeza que  Deus mora sim, no coração de pessoas como o Padre João XXX, esteja ele no templo da Igreja de São João Batista  ou num casebre de pau-a-pique de um sitio qualquer de sua querida Cananéia..
 
Esteja  o Padre João XXX onde estiver, é certo que seu coração estará vivo, como os nossos, pulsando como o afortunado solo destas ilhas. Pulsando historicamente na lembrança inesquecível desse caloroso povo. Afinal, os bons frutos de sua semeadura ao longo de tantos anos multiplicam-se dia a dia.
 
 Pela primeira vez na historia desta secular cidade, o povo humilde da periferia tem vez e vós, graças ao trabalho incansável deste dedicado seguidor do apostolo Paulo.   
 
Em meu nome pessoal e do Edgar Jaci Teixeira e nossas famílias, emocionado, peço a todos que aplaudam o incansável pastor de todos nós.
 
Viva o Padre João.
 
Roberto J. Pugliese
( Texto elaborado em conjunto com o saudoso Edegar Jacy Teixeira )

ORGANIZAÇÕES GLOBO. Porta Voz do Império.


AS LIÇÕES DE CHAVES !
 
Desde que foi eleito em 1998, o presidente Hugo Chávez vem estimulando uma série de debates, seja em razão das amplas transformações sociais que promove na Venezuela, seja em razão do medo pânico que causa nos governos imperiais e nas oligarquias de cada país, vassalas e zeladoras dos interesses deste imperialismo em cada país. Certamente, sobre cada um destes aspectos é possível retirar profundas lições.

No caso brasileiro, a mídia do capital que jamais se preocupou em oferecer um mínimo de informação objetiva sobre as mudanças em curso na Venezuela, agora, em razão do infortúnio da enfermidade de Chávez, esta mídia supera-se. Promove uma comunicação necrológica, havendo inclusive comentarista de veículos das Organizações Globo, que chega mesmo ao grotesco de torcer pela desaparição do mandatário venezuelano.

Sobre isto devemos tirar lições, seja aquelas amargas , a partir do comportamento medieval da mídia empresarial sobre a trágica enfermidade de Chávez, enfermidade que, óbvio, pode alcançar a qualquer um de nós, mas também sobre o que este mandatário já realizou mudando a face de seu país e ajudando a mudar a face da América Latina. Por um lado, fica claro que para aqueles comentaristas globais, a ideologia está por cima de qualquer conceito básico de humanidade ou solidariedade, que sustentariam desejos de restabelecimento e de superação deste azar pessoal.

Mas, o que se observa é ainda mais grave: para além do desejo pessoal da morte alheia, as concessões de serviço público de radiodifusão estão a ser utilizadas para a propagação destes desejos mórbidos em grande escala de difusão, violando a Constituição Brasileira, que, em seu artigo 221, estabelece como princípio a ser observado, “o respeito aos valores éticos e sociais, da pessoa e da família”, sem qualquer manifestação da autoridade responsável. É como se fosse autorizado aos concessionários de serviços públicos de abastecimento de água, distribuir água contaminada e suja à sociedade.

Para que serve a mídia?

Será que isto estaria se tornando uma tendência? Há alguns meses, quando cientistas iranianos foram assassinados em atentados que, segundo o noticiário da época, teriam sido organizados por comandos israelenses - os mesmos que assumem agora terem participado na eliminação de Yasser Arafat - num programa televisivo, Manhattan Conexion , também veiculado por empresa das Organizações Globo, comentaristas chegaram a defender que aqueles cientistas iranianos mereciam mesmo ser assassinados. Apologia do homicídio!

Tanto num caso, como em outro, Venezuela e Irã são países com os quais o Brasil possui relações de amizade e cooperação, aliás crescentes, em benefício mútuo notório. Qual seria a reação do Itamaraty, do Governo Federal, caso emissoras de TV da Venezuela ou do Irã passassem a hostilizar autoridades brasileiras, e, chegassem a torcer pela reincidência do câncer em Dilma ou em Lula, e para que eles não resistissem? Ou se estas emissoras defendessem a morte de cientistas brasileiros, pois, como sabemos, o Brasil também possui - de modo soberano - seu próprio programa nuclear, como EUA, Rússia, China, Israel e Irã?

Pra que servem os meios de comunicação social, afinal de contas? Para hostilizar e desejar o pior, de modo incivilizado, embrutecido, desumano e antidemocrático, a personalidades de outros países, com o que se desrespeitam povos com os quais temos relações de cooperação e amizade? Será mesmo admissível que concessões de serviço público sejam utilizadas para insuflar, propagandear e celebrar o desejo de morte de seres humanos, simplesmente por não comungar de suas ideias? Esta prática não seria equiparável àquelas que Goebels denominava de “razões propagandísticas”, e que precederam os ataques nazistas a outros povos?

Estranho “ditador”

As notas que a mídia brasileira divulgam sobre Hugo Chávez atentam contra a prática basilar do jornalismo. Críticas e discordâncias são absolutamente normais e devem ser praticadas. Mas, desinformação, distorção e inverdades grotescas são atributos rigorosamente alheios ao jornalismo.

Um dos aspectos mais utilizados nesta cruzada midiática de anos é a tentativa de rotular Hugo Chávez como ditador. Estranho “ditador” este que chegou ao poder pelas urnas e, em 14 anos, promoveu 16 eleições, referendos e plebiscitos, dos quais venceu 15 pelo voto popular e respeitou, democraticamente, o resultado do único pleito em que não foi vencedor. Estranhíssimo “ditador” esse Chávez que introduziu na Constituição Bolivariana - ela também referendada pelo voto popular - o mecanismo da revogabilidade de mandatos, utilizado pela oposição que, no entanto, não conseguiu a vitória nas urnas.

Auditoria eleitoral

Na Venezuela, para dar ainda mais segurança às eleições, estas não são julgadas pela mesma autoridade que as organiza. Além disso, as urnas possuem mecanismo de impressão do voto, possibilitando ao eleitor conferir se o voto que teclou foi realmente o voto registrado pelo computador. De posse deste voto impresso, o eleitor, no mesmo momento da votação, o deposita em urna anexo. Isto possibilita que haja plena auditoria do voto, o que não ocorre no Brasil, onde, conforme já demonstraram especialistas da UnB, as urnas eletrônicas são vulneráveis a interferência externa sobre seus programas, além do que, na existe a possibilidade do voto material em papel para eventual necessidade de recontagem.

Estranho “ditador” este Chávez, que ampliou a segurança eleitoral dos cidadãos, lembrando que lá na Venezuela o voto não é obrigatório, tendo sido registrada, na eleição de outubro de 2012, uma participação superior a 86 por cento do colégio eleitoral. O revelador aqui é que as Organizações Globo, tão empenhada em rejeitar e criticar a democracia venezuelana, é aquela que apoiou o a supressão do voto popular no Golpe de 1964, apoiou a Proconsult contra a eleição de Brizola em 1982 e foi contra a Campanha Diretas-Já, em 1984, uma das mais belas páginas da consciência democrática do povo Brasil. E, ainda hoje, a Globo insiste em difamar e combater a instituição do voto impresso na urna eletrônica brasileira, cuja vulnerabilidade tem lhe causado a rejeição por mais de 40 países, exceção para o Paraguai, a quem o TSE regalou tais equipamentos......

Povo ignorante?

Esses comentaristas da Globo tentam passar a imagem de que a Venezuela é um país de atraso cultural, para o que se valem , novamente, do expediente corriqueiro da desinformação massificada, repetida sistematicamente. Vamos aos fatos: enquanto a Venezuela já foi declarada oficialmente, pela UNESCO, como “Território Livre do Analfabetismo”, o Brasil ainda não tem sequer uma meta segura para erradicar esta mazela social, apesar de terem nascido aqui os geniais Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.

Lá, para a erradicação do analfabetismo, além da utilização de um método super-revolucionário elaborado em Cuba, o “Yo Si Puedo”, houve uma tremenda mobilização do governo, das massas, das instituições, mas também dos meios de comunicação públicos, que, existem, informam e possuem uma programação cultural educativa elevada ao contrário daqueles sintonizados com os ditames prepotentes do Consenso de Washington.

Aliás, vale lembrar que foi exatamente por meio deste método que o Deputado Tiririca foi alfabetizado em prazos relâmpagos e foi capaz superar as ameaças elitistas da autoridade eleitoral que queria lhe cassar o mandato. Tiririca aprendeu a ler e escrever em poucas semanas. Com também foram alfabetizados campesinos, índios, povo pobre na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Em breve será a Nicarágua a ser declarada também, oficialmente, pela Unesco, Território Livre do Analfabetismo.

Como contraponto, vale lembrar que o programa Telecurso Segundo Grau, produzido pela Fundação Roberto Marinho, é exibido em horário da madrugada pelas emissoras que empregam esses comentaristas, apesar dos volumosos recursos públicos despendidos para a sua produção e veiculação. A escolha do horário é apenas demonstração da baixa preocupação e vontade dos concessionários de serviços públicos de radiodifusão em contribuir para a elevação do nível educacional e cultural do nosso povo. Contrariando a Constituição.

O que é notícia?

Aqueles comentaristas são incapazes de informar sobre tudo isto, bem como sobre o papel dirigente de Hugo Chávez ao formar com estes países e outros a ALBA - Aliança Bolivariana para o Progresso, numa iniciativa em que colocou o petróleo com instrumento da elevação das condições de vida não apenas dos venezuelanos, mas também do progresso social conjunto destes povos. A isso chamam de ingerência, trocando solidariedade por intromissão. Graças aos recursos do petróleo, milhares de latino-americanos, estão recuperando a plena visão, por meio de cirurgias gratuitas realizadas pela Operación Milagro, um esforço comum entre Cuba e Venezuela.

Esta operação humanitária, jamais divulgada adequada pelas Organizações Globo, nasce quando a OPAS alertou para a possibilidade de que pelo menos 500 mil latino-americanos perdessem a visão à curto prazo, vítimas de catarata, uma tragédia perfeitamente evitável. As cirurgias são feitas tanto em Cuba, como na Venezuela, e agora também na Bolívia, no Equador, seja por médicos cubanos, ou locais. Isto não se informa, mas um dia destes , fiquei tomei conhecimento, pelo Jornal Nacional, da edificante informação de que a esposa do Príncipe Willians, a tal duquesa de Cambridge, está sofrendo muito enjoo na sua gravidez. Cuba e Venezuela decidiram operar 6 milhões de latino-americanos, gratuitamente, em 10 anos. O que é notícia?

Índios leem “Cem anos de solidão”

Aí temos outra lição de Chávez: depois de erradicar o analfabetismo, Chávez criou a Universidade Bolivariana, pública e gratuita, a Universidade das Forças Armadas, e um programa para elevar a taxa de leitura do povo venezuelano. Por meio deste programa foram editados, dando apenas alguns exemplos, a obra “Dom Quixote”, com uma tiragem de 1 milhão de exemplares que foram distribuídos gratuitamente nas praças públicas, e também a obra “Contos”, da Machado de Assis, pelo mesmo programa, com uma tiragem de 300 mil exemplares, tiragem que o genial escritor do Cosme Velho jamais mereceu aqui no Brasil, onde não apenas o analfabetismo persiste , mas a tiragem padrão de nossa indústria editorial arrasta-se na melancólica marca de 3 mil exemplares.

Além disso, algumas tribos indígenas da Amazônia venezuelana, que, até Chávez, ainda desconheciam a escrita, já tiveram seu idioma sistematizado, e, como primeira obra publicada no novo sistema de escritura, tiveram o belíssimo “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. No entanto, apesar de tudo isto, para estes comentaristas da Globo, que agridem Chávez no leito de um hospital, na Venezuela há um “povo ignorante”, dirigido por um “ditador”.... Como explicar, então, a realização destas mudanças marcantes?

Vale contar um caso: o senador Cristovam Buarque, ex-Ministro da Educação de Lula, foi à Venezuela para a solenidade de Declaração de Território Livre do Analfabetismo. Escreveu num papelucho um endereço e saiu pelas ruas perguntando ao acaso aos transeuntes, que lhe orientassem como chegar ao destino marcado. “Falei com pessoas indistintamente, camelôs, donas-de-casa, jovens ou não, ninguém me disse que não sabia ler e davam a informação”, contou. São as lições de Chávez que a Globo não possui aptidão para aprender....

Petróleo a preço de água

Antes de Chávez, quando 80 por cento dos venezuelanos viviam na miséria absoluta, o petróleo era regalado aos EUA, enquanto a burguesia local era conhecida por ser a maior consumidora de champanhe do mundo, depois da francesa, e pela elevadíssima importação de caviar para pequenos círculos oligarcas.

Eleito, Chávez cumpriu promessa de campanha de acabar com a farra imperialista com o petróleo venezuelano regalado. Recuperou gradativamente o controle sobre a PDVSA e também fez uma cruzada internacional para acordar a OPEP de seu sonho colonizado. Na época, o preço do petróleo estava em 7 dólares o barril - ou seja, muito mais barato que água mineral ou Coca-Cola - e hoje, avança pela casa dos 100 dólares. Eis a razão do ódio dos EUA a Chávez.

Evita Perón e Vargas

Este ódio imperial se expressa como uma ordem, uma sentença de morte, dada pelos falcões norte-americanos para que seja alcançada, por meio do câncer, aquela meta mórbida contra qualquer mandatário que não seja talhado para vassalagem, para submissão. Não é a primeira vez na história que isto ocorre. Quando Evita Perón foi acometida por um câncer, este jornalismo mortífero se expressou sem qualquer escrúpulo. O ódio que os círculos imperiais nutriram por Evita fez com que ele saltasse das páginas da imprensa portenha para os muros de Buenos Aires, nos quais a oligarquia festejava sua podridão moral escrevendo “Viva el Câncer!”.

Os imperialistas jamais perdoaram Evita por ter armado os trabalhadores da CGT para resistir aos golpes que frequentemente se organizavam contra Perón. Chegou mesmo a advertir Perón, que lhe criticou pela distribuição de armas, da qual ela nunca se arrependeu, que ele estava preparando as condições - desmobilizando os trabalhadores - para não ter capacidade de resistir ao golpe, que chegou em 1955, 3 anos depois da morte de Evita. Ela bem que avisou.

Depois foi contra Getúlio Vargas, quando sua saída da vida para entrar na história foi comemorada em círculos manipulados pelo capital externo, que não suportavam a criação da estatal Petrobrás, dos direitos laborais inscritos na CLT e da lei da remessa de lucros ao exterior. Não por acaso, o povo expressou sua tristeza e sua fúria, pranteando Vargas, mas também empastelando os símbolos daquele ódio contra o popular presidente, entre os quais os jornais Tribuna da Imprensa, Globo, e, até mesmo do jornal do PCB, Tribuna Popular, que no dia do suicídio de Vargas trazia desorientada entrevista de Prestes pedindo sua renúncia.

Assustados e envergonhados, os dirigentes comunistas recolhiam os exemplares do jornal que ainda estavam nas bancas. Mas, não tiraram conclusões históricas do porquê também foram alvo da fúria popular contra seus inimigos, sobretudo porque Vargas havia convidado Prestes para ser o chefe militar da Revolução de 30, aquela que em apenas 24 horas alistou mais de 20 mil voluntários para pegar em armas e combater a República Velha. Prestes inicialmente aceitou o convite, mas a ordem stalinista foi para que se afastasse de Vargas, enquanto que, na mesma época, em sentido contrário, Leon Trotsky escrevera que tanto Vargas como o mexicano Cárdenas, eram expressão de um bonapartismo sui generis, com potencial revolucionário, e que deveriam receber o apoio tático dos revolucionários.

O Levante de 4 de Fevereiro de 1992

Processos revolucionários começam sob formas mais inesperadas, normalmente com rupturas da legalidade instituída quando esta acoberta iniquidades, sob a forma de insurreições, armadas ou não. A partir das revoluções outra legalidade é constituída. Assim foi a Revolução de 30. Assim havia sido a Revolução Francesa, Assim foi a revolução em Cuba, na Nicarágua ou na Argélia. A Revolução Iraniana, por exemplo, desde 1979, de quatro em quatro anos promove eleições diretas, o que ainda não foi conquistado pelo povo dos EUA, onde o voto é indireto e apenas os candidatos que podem pagar aparecem na mídia para defenderem suas ideias.

A Revolução Bolivariana começa com um levante insurrecional - o 4 de fevereiro de 1992 - destinado a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, cujo objetivo era retirar a Venezuela da condição de colônia petroleira. Evidentemente, os comentaristas que seguem orientação imperial não suportam qualquer forma de rebeldia contra hegemonias colonizadoras. Na prisão, Chávez se transforma no homem mais popular da Venezuela, aquele capaz de traduzir e promover a identidade de seu povo com a sua história, com Bolívar, com a sua identidade cultural, sua mestiçagem negra e índia, como são os venezuelanos.

A Revolução Bolivariana começa com um levante armado e transforma-se em processo institucional por meio da aprovação do voto popular. Mas, diante das constantes ameaças golpistas imperiais e também das provocações desestabilizadoras da oligarquia, Chávez mesmo declarou que “esta é uma revolução pacífica, pero armada” , como a expressar a consciência do golpismo que sempre esmagou processos democráticos de transformação social na América Latina. Não lhe sai da lembrança que Allende morreu de metralhadora na mão...

Jornalismo de desintegração

As lições de Chávez estão aí aos olhos do mundo, mesmo que esta mídia golpista, praticando o mais vulgar jornalismo de desintegração, queira ocultar. A parceria Brasil-Venezuela multiplicou em mais de 500 por cento o comércio bilateral em poucos anos e hoje estão atuando na pátria de Ali Primera a Embrapa, a Caixa Econômica e muitas empresas brasileiras. Realizam obras de infra-estrutura indispensáveis para que o país dê um salto em seu desenvolvimento, o que sempre foi sabotado pelas oligarquias do período pré-Chávez.

Agora Venezuela constrói ferrovias, metrôs, teleféricos, estradas, hidrelétricas, pontes, e a participação brasileira nisto, com financiamento estatal, via BNDES, traduz bem o pensamento de Lula de que integração significa “todos os países crescendo juntos”. Os comentaristas da Globo não informam nada disso, até porque apoiaram quando o Brasil, na era da privataria neoliberal, demoliu um terço de suas ferrovias, além de ter destruído sua indústria naval, que agora, recuperada, tem inclusive 27 encomendas para a construção de navios petroleiros da PDVSA, a serem feitos aqui.

Solidão do uniforme

Além da integração, Chávez recuperou para o centro do debate o conceito de socialismo, além de propor a organização de uma nova Internacional, indignando-se com a cruzada da morte que o imperialismo organizou contra o Iraque, a Líbia e também contra Síria. Muito longe de resolver o desemprego galopante que assola a França, o governo de Hollande lança-se em mais uma empreitada imperial contra. Só sabem guerrear.

Chávez recupera o debate sobre uma nova função social para os militares, retirando-os da solidão do uniforme, unindo-os ao povo e às causas mais preciosas para viver com dignidade, com soberania e como democracia e justiça social. Recuperou até mesmo a função histórica do General José Ignácio de Abreu e Lima, pernambucano que lutou ao lado de Bolívar e que foi o primeiro a escrever sobre O Socialismo na América Latina, o que, em boa medida era desconhecido até mesmo pelas esquerdas brasileiras. Hoje os militares venezuelanos cumprem função libertadora e resgatam a função das correntes militares progressistas e antiimperialistas na história e seus representantes como Velasco Alvarado, Torres, Torrijos, Perón, Prestes, Nasser, Tito, a Revolução dos Cravos.....São lições de Chávez.

Os comunicadores que ignoram os fatos objetivos alardeiam a existência de desabastecimento alimentar quando a Unicef comprova que a Venezuela teve reduzida drasticamente a desnutrição e sua mortalidade infantil. O que há é boicote da indústria alimentar, o que levou o governo a montar uma rede estatal de mercados, fixos e móveis, que chegam a vender alimentos ao povo a preços até 70 por cento mais baratos, já que supera a especulação dos oligopólios.

Na semana que passou, para as autoridades venezuelanas confiscaram 3 mil toneladas de alimentos que estavam escondidos pelos oligopólios, numa operação casada com a mídia para fazer a campanha de que “falta alimento”, operação da qual participam, vergonhosamente, os comentaristas globais e sua grotesca desinformação. Segundo estatísticas da FAO, o consumo de alimentos na Venezuela aumentou em 96 por cento no período de 2001 a 2011, Era Chávez, enquanto a Cepal atesta que este país é hoje o menos desigual da América Latina, além de pagar o maior salário mínimo do continente, o equivalente a 2440 reais, informação que a Globo jamais noticiará.

MST, sem veneno

Antes de Chávez, a Venezuela não possuía economia agrícola, ou melhor, tinha apenas uma “agricultura de portos”, todo alimento era importado, até alface vinha de avião de Miami. Hoje o país, graças à integração e à cooperação promovidas incansavelmente por Chávez, já tem uma pecuária leiteira, já produz metade do arroz que consome e recebeu até a solidariedade do MST que lhe doou toneladas de sementes criollas de soja não transgênica. Aliás, Chávez organizou convênio com o MST, o então governador Roberto Requião e a Universidade Federal do Paraná para montar escolas de agroecologia aqui no Brasil, abertas à participação de estudantes de toda a América Latina.

Jornais populares e diversidade

Essas são algumas das generosas lições de Chávez, atacado pela Globo daqui, como pela de lá, exatamente porque existe plena liberdade de imprensa na Venezuela. Ou, como disse Lula, “o problema da Venezuela é excesso de democracia”. Vale contar episódio de jornalista brasileira que antes de viajar para lá me perguntou como poderia ter acesso a imprensa não controlada pelo governo, segundo frisou. Eu lhe disse, vá às bancas de jornal. Ela desconfiou, mas foi. E me contou; “pedi ao jornaleiro imprensa de oposição ao Chávez. Ele apontou para toda a sua banca e disse-me. minha filha, isso aí tudo é contra o governo, que poderia escolher á vontade”, relatou-me surpreendida.

A diferença é que essas grosseiras distorções e manipulações que se lançam aqui contra Chávez, lá têm respostas pois foi constituído um sistema público de comunicação, inclusive com jornais populares distribuídos gratuitamente ao povo nos metrôs e rodoviárias, o que ainda não temos aqui. O povo brasileiro eleva seu padrão de consumo, mas não tem um jornal com o qual possa dialogar e refletir sobre as mudanças sociais em curso aqui. Continua “dialogando” com as xuxas da vida....

Caminhando e cantando e seguindo a lição....

Diante de tantas lições civilizatórias, democráticas, transformadoras e marcadas pelo humanismo que está sendo aplicado pelo governo bolivariano da Venezuela, a conclusão de um comentarista global de que Chávez iria tomar o poder no além, é apenas e tão somente confissão de um desejo golpista macabro e atestado da estatura moral desta mídia teleguiada de Washington. O que desejamos é que Chávez possa se recuperar, concluir a sua obra, na qual está a meta de construir e entregar 380 mil novas moradias em 2013, equipadas com móveis e eletrodomésticos, em terrenos localizados também em bairros nobres, e não numa periferia longínqua ou à beira de precipícios que desmoronam com as chuvas.

Quanto a nós, que aprendamos algumas destas lições, especialmente quanto à necessidade de fortalecer, expandir e qualificar um sistema público de comunicação, para que tenhamos acesso ao que está em nossa Constituição, a pluralidade e a diversidade informativas, e um jornalismo como construção de cidadania e de humanidade.


* Beto Almeida é membro da Junta Diretiva de Telesur
 
Roberto J. Pugliese
membro da Academia Itanhaense de Letras
Autor de Direito das Coisas, Leud